REPÓRTER X EDITOR: COMO EQUILIBRAR ESTA RELAÇÃO?

Que atire a primeira pauta o repórter que nunca se estranhou com um editor e vice-versa. Discutir a finalização de uma matéria muitas vezes equivale a uma calorosa DR no triangulo amoroso que envolve repórter, cinegrafista e editor.

Pois é, como numa boa discussão de relação, o processo de edição é também um embate de personalidades e habilidades. E em se tratando de televisão, há sempre uma razoável dose de vaidade no meio.

 

Dependendo da flexibilidade dos envolvidos, a coisa pode sair dos limites da discussão profissional  e desandar para os lados da teimosia pura e simples:  o repórter teme que sua criação seja desfigurada, o editor insiste na sua versão e o cinegrafista reclama das imagens desprezadas.

Os três lados tem suas razões: o repórter argumenta que ele é que estava lá, que apurou tudo e sabe o que está dizendo; o editor sustenta que tem a visão mais distanciada e contextualizada sobre o tema, tem a habilidade de compactar o conteúdo no tempo exigido e está em sintonia com o editor-chefe. E o cinegrafista bate pé nas imagens que considera mais significativas para a matéria.

Se estas diferenças não forem bem administradas, a edição pode virar um atrito desgastante capaz de prejudicar a finalização do material e ainda tumultuar o fechamento do telejornal.

Por outro lado, se todos cumprirem sua parte com equilíbrio e sensatez nesta etapa o resultado será não só uma matéria bem finalizada mas também uma experiência de crescimento profissional para todos os envolvidos.

DICAS PARA UMA EDIÇÃO HARMONIOSA E PRODUTIVA

– Queira ou não queira o repórter, há uma relação de subordinação. O editor tem o poder de modificar o conteúdo. Mas deve fazê-lo com critério e não por presunção. Só haverá atrito se ambos não souberem colocar seus pontos de vista de maneira profissional, consistente e respeitosa.

– O editor, que não estava na cobertura do fato, deve respeitar o relato e a interpretação do repórter;  este por sua vez deve compreender a visão mais contextualizada  e desapaixonada do editor. O equilibro entre estes dois pontos traz a melhor abordagem do assunto. 

– É fundamental que cada um dos envolvidos saiba respeitar a experiência do outro. Um editor novato deve entender a posição de um repórter tarimbado,  assim como o foca da reportagem deve assimilar a vivência de um editor veterano.  Cada um pode e deve aprender muito com o outro, e fazer com que isso leve a um resultado ideal.

– A reportagem que chega da rua é resultado do estilo e do olhar do repórter. O editor não pode simplesmente anular uma forma de abordagem com personalidade em nome de um modelo mais convencional.  Mas isso não significa que o repórter pode inventar o que quiser em termos de linguagem sem levar em conta o perfil do programa e a visão da editoria. Mais uma vez, aqui vale a discussão equilibrada e não a imposição.

– Uma boa maneira de evitar uma discussão indesejável  na hora do fechamento da edição é conversar antes que a equipe saia pra rua. Mesmo que não se saiba o que vai acontecer durante as gravações, é sempre produtivo que o repórter converse com o editor antes e vá para a pauta com uma idéia mais alinhavada do que se pretende para o telejornal.  Se o editor não tiver sido designado ainda, a conversa prévia pode ser com o chefe de reportagem ou com um produtor, que depois transmitirá a informação para o editor escolhido.

– Muitas vezes o olhar mais distanciado do editor (e sua experiência) pode dar a solução para o foco de uma matéria, mudando até a linha inicial definida pelo repórter. Cabe a ele sustentar a argumentação e mostrar na edição que aquela foi a melhor forma.

-Editores experientes, vividos e calejados, são fundamentais na formação profissional dos repórteres. Eles ajudam a desenvolver uma visão mais objetiva das pautas e seus contextos , ensinando a olhar além do entusiasmo e da excitação tão comum nos repórteres iniciantes ou mais jovens.

– Discutir formas inovadoras de linguagem é muito saudável, e deve envolver editor, repórter, cinegrafista e editor de imagens. Mesmo que o telejornal tenha um determinado padrão, é sempre possível  e desejável experimentar novas narrativas.

– A menos que se queira um trato especial nas imagens, para que estas tenham um efeito específico numa determinada matéria, o editor deve se concentrar na organização do conteúdo, e deixar a escolha das imagens habituais para o editor de imagens.

– Em emissoras pequenas, onde a equipe não conta com editor de texto e apenas o editor de imagens, o repórter, se não puder editar, deve ter o cuidado de fazer um roteiro de edição que possa ser seguido pelo editor de imagens. Este roteiro deve ser o texto em off impresso , com as marcações das imagens mais adequadas, os trechos escolhidos de entrevistas (sonoras) na sequencia correta (com nomes e funções dos entrevistados) e o ponto da passagem. Para isso se pressupõe que o repórter fez a decupagem.  Se ele não teve tempo para isso, deve passar ao editor o maior número possível de orientações, com objetividade e clareza, via telefone, mensagem de celular ou mail.