PRÊMIOS DE JORNALISMO: OS LEGÍTIMOS E OS PATRULHEIROS

Quem não gosta de ver o seu trabalho reconhecido com um prêmio? Quem não gosta de ver a notinha no jornal falando da distinção, citando os nomes dos premiados e a matéria agraciada?

Pois há quem critique. E esses são justamente os que nunca chegam lá –  ou porque são incompetentes, ou porque, mesmo sendo bons profissionais, nutrem um incompreensível sentimento ranheta contra os prêmios de jornalismo. E sempre que podem desdenham os colegas que eles chamam de “caça prêmios”.

 

A nuvem de hipocrisia que cobre este assunto paira há muito tempo sobre a categoria. E acaba muitas vezes inibindo profissionais, iniciantes ou não, que produzem ótimas matérias mas são constrangidos pelos chatos patrulheiros, que envenenam o ar da redação com comentários tipo “fazer matéria pensando em prêmio é coisa de repórter caça-níquel”.

Todos sabemos que existe em toda parte profissionais que ficam garimpando oportunidades de concorrer, de olho na grana e na exposição. Então correm para preparar matérias dirigidas, concebidas para agradar os que oferecem o prêmio, esquecendo deliberadamente as regras do bom jornalismo.

É uma questão de consciência.

Mas o que há de errado em pensar na produção de uma matéria focando determinado concurso, desde que o tema seja abordado com honestidade e seguindo os mandamentos básicos do nosso ofício?

A maioria dos concursos de reportagens são promovidos por setores da indústria, comércio, ONGs ou da área pública.

Obviamente, isto estabelece o contexto da matéria.

Mas não decreta que ela deve ser uma exaltação ou um release disfarçado de reportagem. Se a matéria fica assim, é porque o repórter ou editor quis, e o fizeram por interesse.

Deixa de ser reportagem para ser produção institucional.

Aí temos que dar razão aos críticos dos caça-prêmios.

A cultura de conquistar prêmios de reportagem deve fazer parte do ambiente de cada redação. E deve ser tratada como meta. Porque não?

Que veículo de comunicação não orgulharia de ter uma equipe de jornalismo campeã de prêmios, especialmente daqueles mais relevantes?

Cabe aos coordenadores planejar como isso deve ser colocado em prática, de forma que as equipes relatem as reportagens que podem ser enquadradas em determinado prêmio, e ainda, sugerir abordagens adequadas visando determinado concurso.

Fazer tudo isso com legitimidade jornalística é possível, sim. E fazer de forma planificada, com cronograma de execução.

Desde quando isso faz da redação um grupo de mercenários?

Bem, alguns preferirão a via mais fácil: a bajulação, a matéria simpática, que faz vista grossa aos aspectos negativos do tema para não “ferir suscetibilidades” e aumentar as chances de vitória no júri.

Mas uma redação dirigida por gente com caráter, discernimento e profissionalismo saberá neutralizar as tentativas de pautas “espertinhas”.

Quando esta consciência existe no grupo, é fácil determinar quando uma pauta ou matéria já veiculada merece a honra de representar o veículo num determinado concurso.

Portanto, repórteres – novatos ou não – editores e outros profissionais das redações: não tenham medo de ganhar prêmios!

Só não esqueçam da essência da profissão, para não se deixar seduzir pelo canto de sereia da “fama” e naufragar como jornalista.