O NOVO CENÁRIO DO TELEJORNALISMO NO RS

O anúncio dos vencedores do Prêmio Ari 2017 reavivou uma impressão que agora é uma constatação absoluta sobre a realidade do telejornalismo no RS. O ranking das edições nesta década consolida uma constante e animadora transformação no cenário da produção de reportagens das emissoras gaúchas.

Fiz uma rápida pesquisa nas edições do prêmio desde 2010. É fácil constatar o crescimento da produção jornalística, em volume e qualidade, das emissoras concorrentes da RBSTV, a líder histórica de audiência e outrora presença constante no topo do pódio das melhores reportagens de TV no RS.

Neste oito anos, em apenas duas vezes a RBSTV levou o primeiro lugar em telejornalismo no Prêmio ARI. E nas duas ocasiões com matérias dos repórteres Giovani Grizotti (2010) e Fábio Almeida (2013), profissionais que nem aparecem no vídeo porque se especializaram em reportagens investigativas, onde a discrição é questão de segurança.

Nas demais edições, o SBT dominou, com quatro primeiros lugares em reportagem geral.  Record e TVE conquistaram um cada. Além disso, estas emissoras, incluindo a Band, também levaram a maior parte dos segundo e terceiro lugares, além das menções honrosas.

Só há duas leituras possíveis deste quadro: ou a qualidade da produção jornalística da RBSTV caiu neste período (o que não inclui o Esporte, que não perdeu o posto de grande vencedor na categoria nestes oito anos), ou as emissoras que concorrem com a líder absoluta passaram a investir mais em telejornalismo e produziram muito mais e melhor nesta década.

Esta última hipótese me parece a mais provável e merece muita comemoração. É efeito inequívoco da disputa no mercado, apesar de tantas mudanças, como o encolhimento das redações e o expurgo dos veteranos nestes últimos tempos.

Mas não deixa de ser preocupante o fato de a RBSTV perder tanto espaço, sendo ela historicamente a grande vencedora na categoria.

Tem algo de paradoxal e intrigante nisso. A emissora ainda tem um ótimo e numeroso grupo de repórteres(embora com muito mais novatos na linha de frente), equipes qualificadas na redação, repórteres cinematográficos e técnicos de primeira, tecnologia e capacidade financeira muito maior que as concorrentes. Sem contar a rede de emissoras no interior do estado. No entanto, A RBSTV cada vez mais tem perdido o topo das melhores reportagens para emissoras com estruturas muito menos poderosas e com equipes de reportagem muito menores – mas muito competentes e cheias de gás.  .

Isso não só me intriga, mas me preocupa e me entristece. Foi na RBSTV que forjei meu molde de repórter. Conheço bem a capacidade da máquina onde trabalhei por 15 anos e não consigo entender esta perda de fôlego.

Seja como for, a RBSTV ainda é o jogador mais forte do mercado de telejornalismo. Mas, como a realidade está provando, parece que não manda mais no jogo.

E isso é bom pra todo mundo, principalmente para o telespectador.