MARCELO COELHO

Marcelo Coelho é jornalista e radialista. Apresenta o SBT Rio Grande em Porto Alegre desde 2014. O jornalístico é exibido de segunda à sexta, das 11h40min às 12h30min e é o segundo programa de TV mais visto neste horário na TV aberta no Rio Grande de Sul. As primeiras atividades na área  de comunicação se deram em 1986, na região sul do estado, como comunicador de rádio na antiga  RCC FM, em Rio Grande.

 

Entre 1989 e 1993 foi comunicador das rádios FM 105 e Atlântida FM, em Santa Maria. Em 1990, ainda como acadêmico de Comunicação Social da UFSM, começou a trabalhar na RBS TV,onde foi editor, repórter e apresentador. Em 1993 transferiu-se para o Rio de Janeiro onde foi narrador esportivo e apresentador do Sportv. Como repórter de TV, assinou mais de 6 mil reportagens dos mais variados temas para telejornais das redes CNT, RedeTV, Gazeta,  SBT RJ e Rede Record, onde fez reportagens especiais para o Domingo Espetacular e Repórter Record.

Em maio de 2014, Marcelo Coelho retornou ao Rio Grande do Sul para mais um etapa profissional, desta vez, como apresentador do SBT RS.

 

. Qual a maior virtude de um âncora de telejornalismo?
Acredito em três virtudes básicas: Ser legítimo, ter credibilidade, ser humilde.
.Como prepara a formação cultural e base de informações do dia a dia?
Ouvir, ler, assistir tudo o que puder sobre os assuntos de que irá tratar. Acompanhar todos telejornais, pesquisar na internet. Pela manhã, os rádios ligados na cabeceira da cama e no banheiro são fundamentais. Em Porto Alegre, uma zapeada básica nas emissoras de conteúdo jornalístico: BandNews, Guaíba, Gaúcha, CBN (Lamento não ser FM!)
. Qual a diferença entre âncora e apresentador?
“Âncora” vem de anchorman, do telejornalismo norte-americano. A figura pesada que segura o barco e impede que ele se desgarre nas tempestades do ar. Uma boa figura de linguagem para  definir o jornalista que empresta sua experiência, voz e imagem ao jornal que comanda. Um bom âncora sugere pautas, participa da edição, redige ou altera o texto que vai ler no ar. Nos anos 80, o jornalista que veio do impresso, Bóris Casoy inovou na forma de apresentar um telejornal, emitindo bordões após as reportagens mais importantes. Fato que o notabilizou como primeiro âncora da TV brasileira. Na época, a grande maioria dos apresentadores de telejornais era formada por profissionais vindos do rádio, com voz grave e fala bem articulada. A maioria não tinha formação jornalística acadêmica e assim, não interferia no conteúdo das notícias. Apenas liam o que outros escreviam.
. A figura do âncora opinativo é relativamente recente nos telejornais brasileiros. A multiplicação do modelo indica que o público aceitou bem?

Uma questão polêmica. Há comentários passionais e comentários racionais. Acredito que boa parte dos espectadores menos ilustrados e esclarecidos encontram dificuldade para entender os contextos dos fatos que tornaram-se notícia. O público crescente encontrou nos comentários dos apresentadores e âncoras, respostas que muitas vezes as reportagens exibidas não conseguiram dar, por variados motivos técnicos – entre eles, o limite de tempo do vt. Uma reportagem completa, abrangente dispensa grandes comentários racionais. Os comentários emotivos servem de ferramenta para aproximar o espectador do programa. Quando autêntica, a opinião traduz uma experiência do jornalista sobre o assunto e convida o espectador a refletir sobre o fato ocorrido. A verdade nunca se mostra completa diante do jornalista. Portanto, a imparcialidade, um dos pilares teóricos do bom jornalismo, nunca será plena. Entretanto, é nossa missão, talvez utópica, persegui-la. O comentário, quando bem colocado através das virtudes da legitimidade, credibilidade e humildade, pode ajudar muito na tarefa de bem informar, alertando o público sobre os bastidores e entrelinhas dos fatos.

. Qual a principal característica que um repórter deve perseguir hoje?

O bom repórter deve desenvolver a sensibilidade. Lançar um olhar diferenciado. Resistir às mesmices que a rotina impõe. Compreender o humanismo que a atividade sugere. Deve perseguir a verdade, entender que ela nunca se revele por inteiro. E contar a história de forma criativa,  clara, precisa e sucinta.

. Qual deve ser o peso da participação popular nos telejornais?

Penso que as pessoas, de um modo geral, estão perdidas entre tantos acessos a conteúdos fúteis que circulam na internet. É crescente a alienação e cresce a missão dos telejornais. As pessoas assistem notícias nos meios oficiais porque ainda apostam na credibilidade do conteúdo veiculado. Portanto, é preciso manter este compromisso e oferecer conteúdos verdadeiros, úteis e também positivos. A participação popular através da interatividade é essencial para nortear o conteúdo.

. A briga pela audiência coloca um peso extra nos ombros do âncora, que personifica o programa que apresenta. Com lidar com isso?
Falo por mim. Desde que comecei a apresentar o SBT Rio Grande em maio de 2014, a audiência média do programa dobrou. Hoje, Temos um milhão de espectadores no estado. É o segundo programa jornalístico mais assistido no horário de meio-dia na TV aberta. Poderíamos ter mais se eu apenas me limitasse a falar aquilo que as pessoas querem ouvir. Não fazemos isso. Falamos o que o pensamento coerente e construtivo de nossa equipe coesa sugere.  O aumento na audiência vem de forma espontânea quando o público percebe que o objetivo do programa é maior do que apenas noticiar fatos, mas construir uma nova consciência sobre as circunstâncias que envolvem os acontecimentos importantes ou surpreendentes
. Como deve ser a participação do âncora no planejamento do telejornal?
Um bom âncora sugere pautas, participa da edição, grava  reportagens quando possível, redige ou altera o texto que vai ler no ar. Se a ele é permitido comentários sobre os assuntos no ar, deve fazer de forma a não cometer crimes previstos na lei de imprensa.
. Âncoras que merecem o título
Ricardo Boechat, William Waack, Carlos Nascimento, Antonio Carlos Macedo (rádio)
. Qual o futuro do jornalismo?
Boa pergunta! Espero que o mercado aproveite melhor os mais experientes. Bom jornalismo precisa de pessoas vividas. A credibilidade e a autenticidade tem relação íntima com o tempo.