GLAUCIUS OLIVEIRA

GLAUCIUS OLIVEIRA é formado em jornalismo pela FEEVALE, com pós graduação em jornalismo e convergência de mídias.  Começou a atuar como repórter cinematográfico em 1995 na TV Cidade Canal 20 de Pelotas, RS. Depois foi para  RBSTV Pelotas, onde ficou até se transferir para Novo Hamburgo, onde cursou a universidade. Fez trabalho de conclusão sobre a importância do repórter cinematográfico na produção televisiva.

Na TV Feevale, emissora universitária afiliada à TV Cultura/SP, Glaucius atuou como repórter cinematográfico e também como editor e diretor de imagens. Também dá aulas práticas de telejornalismo. Em 2010, começou como repórter cinematográfico na Band RS, de Porto Alegre. Em 2014 vai parta a RBSTV Porto Alegre. Hoje integra o Núcleo Rede Globo da emissora gaúcha, produzindo reportagens em nacionais com os repórteres de rede daqui e com profissionais da Globo. Tem no currículo prêmios ARI, TCE, MP/RS e Setcergs.

. O repórter cinematográfico deve interferir na edição?

Deve sempre estar acompanhando todos os processos. Se possível discutindo antes a pauta com os editores de texto e de imagem, o que acrescenta muito. Isso às vezes não acontece devido à correria do dia-a-dia.

A edição é importante para a boa execução da reportagem e o cinegrafista, que esteve no local, sabe como ninguém o que é mais importante na hora da finalização – junto com o repórter, é claro.

. Como a tecnologia está influenciando no papel do cinegrafista?

Está influenciando muito! O cinegrafista tem que estar pronto as mudanças tecnológicas todos os dias. A reciclagem é muito importante para que ele se destaque e possa desempenhar tarefas que agreguem valor a seu trabalho! Quem não estiver disposto a mudar e conhecer os novos formatos estará fora do mercado em pouco tempo. Dominar todos os tipos de câmeras e ter noção de edição de imagens é extremamente importante.

. O que é mais importante no olhar do cinegrafista?

O olhar apurado e principalmente a visão periférica, que faz com que ele mostre a realidade bem próxima do real. Essa é para mim a principal qualidade do profissional da imagem.

. Cinegrafista mulher tem espaço?

Com certeza, acho que o papel da mulher é importante em todas as profissões. Ela está cada vez mais presente nos ambientes digamos, só para homens. Hoje não temos mais isso. E não seria diferente na TV. As mulheres tem uma visão diferenciada do todo. E claro que isso na imagem faz muita diferença.

. Há diferença em trabalhar com repórter homem ou mulher?

Não vejo diferença alguma. O bom cinegrafista deve estar preparado para qualquer profissional.

. Que peso o cinegrafista deve ter na construção da reportagem?

Deve dividir a responsabilidade com o repórter, ter o mesmo peso. Não deve se eximir de nada. Deve sim acompanhar todos os processos. Estar conectado sempre, procurar estar informado e por dentro daquilo que vai captar.

. Dica para cinegrafistas novatos

Primeira e única dica: gostar do que faz. Se não gosta, esquece! Muda de profissão!

. E para repórteres novatos

Ter a percepção que ele não está sozinho, e que a reportagem que está executando é de responsabilidade dele e do cinegrafista que o acompanha. Ficar atento a experiência do profissional da imagem e estar pronto para as críticas que com certeza virão.

. Qual o tipo de reportagem mais desafiadora?

A que ajuda as pessoas de alguma maneira. Acho que o papel social dos jornalistas é de extrema importância. As reportagens investigativas são importantes para que a sociedade saiba o que está acontecendo em todas as áreas e também que a impunidade diminua.

. Como percebe o olhar dos editores e chefes de reportagem sobre o trabalho dos cinegrafistas?

Em todas as profissões temos aqueles que entendem ou não. No telejornalismo não seria diferente. Precisamos ter mais diálogo entre todos que fazem parte dos processos. O cinegrafista tem que dialogar mais com as chefias, e não apenas chegar com problemas. Tem que arrumar soluções e fazer parte do dia-a-dia das redações.

. Cinegrafistas que fizeram história

Para mim, um grande cinegrafista para mim é o Paulo Zero (Rede Globo), grande jornalista premiado, que conhece como ninguém os processos televisivos.

. O telejornalismo mudou?

Mudou muito e vive um momento complicado. Acho que precisamos rever vários processos que o telejornalismo vem passando. Mudanças são necessárias, e estou muito preocupado com o rumo que o jornalismo televisivo está tomando. Precisamos focar mais nas inovações, fazer jornalismo de qualidade e voltado às novas gerações.


. As emissoras de TV usam cada vez mais imagens de populares feitas com celulares e câmeras amadoras. Isso preocupa?

A qualidade da produção factual de jornalismo de TV vem caindo assustadoramente. A visão que se tem é que qualquer coisa vale. Precisamos sim, dar a noticia; mas isso não quer dizer que temos que colocar qualquer coisa no ar, na busca desenfreada pela audiência. Precisamos ter cuidado e ver o quanto estamos prostituindo a imagem. Televisão é imagem, e de qualidade. Rever os processos é preciso! Atenção total a qualidade é utilizar sim os novos formatos, mas sempre primando pela qualidade.