O RISCO DE SE ALIVIAR NA ESTRADA

Quem vive na estrada sabe que nem sempre dá pra esperar até chegar a um posto de combustíveis para dar aquela mijadinha amiga que vem torturando a bexiga há quilômetros.

Ainda mais quando o sujeito tem por hábito viajar mateando.

Rodei alguns milhares de quilômetros ao lado do repórter cinematográfico Jair Alberto, pela RBS e pela Band. Negão Jair era daqueles que realmente se preocupavam com a imagem do seu repórter.

Mas tinha uma cuidado especialmente exagerado quando eu resolvia me “aliviar” durante uma longa viagem.

– Jair, encosta aí que eu tô me mijando!

– Tá bom, péraí que eu vou achar um posto.

– Não Jair, eu tô apertado mesmo, preciso mijar agora!

– Mas como?? Aí fora pra todo mundo te ver??

– Como assim? Qual é o problema? Estamos no meio do nada. Nenhum posto por perto. Só os carros passando na estrada.

– Pois então papai, é isso mesmo! Como é que eu vou deixar meu repórter ser visto com o pinto pra fora numa estrada com todo mundo passando??

– Porra Jair, eu to me mijaaaando!!

Contrariado, Jair buscou o acostamento. Saí voando abrindo a braguilha. Enquanto eu suspirava de alívio molhando a brita na margem da rodovia, Jair em pé ao meu lado discursava:

– Pô papai, tu não pode fazer isso!!

– Cacete, porque não, Jair??

– Tu é repórter da Globo, o povo não pode te ver mijando por aí!

– Hein??

– Uma vez eu tava com o Chico José (Francisco José, veterano da Globo com quem Jair trabalhou muitos anos no nordeste) e ele parou pra mijar na estrada. Uma pessoa passando de carro viu e depois ligou pra Globo pra reclamar.

– Ah tá! Um telespectador ficou indignado porque viu o Chico José mijando?

– Sim senhor! Por isso tu não pode ficar mijando por aí. Tem que esperar achar um posto de gasolina ou um restaurante!

– Jair, tu sabe que eu sou mijão por natureza, viciado em chimarrão. Tu acha que eu tenho bexiga de aço?

– Não sei papai, tu é meu repórter e eu tenho que cuidar disso.

Viajamos outros milhares de quilômetros em muitas outras reportagens. Jair nunca se conformou com as minhas urgências.

Outra dupla que viajou léguas e léguas por este Brasil afora foi a premiadíssima dupla de Zero Hora, Carlos Wagner, repórter e escritor, e Ronaldo Bernardi, repórter fotográfico.

Numa destas paradas, estavam os dois lado a lado se aliviando no acostamento. Bernardi nota pingos indesejáveis na sua botina e olha indignado para o Wagner, cuja gagueira era tão famosa quanto suas tantas conquistas jornalísticas.

– Pô Wagner, te ajeita no vento! Tá me mijando todo!

Wagner continuou do mesmo jeito:

– Tu tu tu não a a acha que a gente tá tá tempoo de demais viajando ju juntos pra tu tu agora me dizer co co como eu tenho que mi mi mijar??