A METRALHADORA DA WEB

A geração de jornalistas  que cresceu  conectada ao universo virtual,  trilhando com seus gadgets os infinitos caminhos da web 24h por dia,  tem nas mãos um recurso que os mais  veteranos  nem sonhavam  no início de suas carreiras.

No cenário hightech de hoje, a possibilidade de acessar todo tipo de conteúdo a qualquer  hora e em qualquer lugar traz facilidades de apuração e divulgação inimagináveis há alguns anos.

Mas há armadilhas neste admirável mundo novo.

Jornalistas jovens acostumados à informação instantânea e a ficar satisfeitos com os primeiros resultados podem ser traídos pelos encantos da rede e pagar caro.

Aviso aos navegantes da web: usar as facilidades de acesso instantâneo exige critérios consistentes de seleção e responsabilidade para divulgar conteúdos que o mundo todo pode acessar.

Nas mãos de irresponsáveis, as maravilhas da web podem ser uma metralhadora de grosso calibre disparada por quem só conhece pistola dágua.

Os riscos de danos colaterais são enormes e muitas vezes irreparáveis.

Repórteres novatos que se acham superiores aos veteranos só porque são mais hábeis com as novas tecnologias  correm sério risco de serem jornalistas incompetentes e irresponsáveis, capazes de causar grandes e irrecuperáveis danos ás pessoas ou instituições envolvidas nas matérias. E também provocar sérios prejuízos ao veículo em que trabalham, pois podem atrair processos judiciais e outras formas de retaliação por conta de sua presunção.

Com a crescente juvenilização das redações e do expurgo constante dos profissionais mais vividos, os filtros fundamentais em qualquer redação  também foram afetados. Hoje muitos chefes de redação, editores chefes e outros gestores são tão jovens e quase tão inexperientes quanto os repórteres em início de carreira.

Resta aos mais jovens investir numa formação pessoal sólida, que inclui não só uma cultura geral consistente, mas também a humildade de recorrer aos mais experientes para crescer com as dicas deles.

É uma questão de escolha: com a tecnologia de hoje, jornalistas jovens que compreendem a importância da apuração aprofundada e responsável  e cultuam noções sólidas de ética e moral, tem tudo para serem profissionais do mais alto padrão.

Já os que agem de forma incauta e açodada, confiando cegamente nas primeiras informações que pescam no traiçoeiro mar da web, sempre infestado de fakenews, blogs e sites de conteúdos duvidosos, tendem a ser profissionais rasteiros, sem brilho verdadeiro e fadados á vala comum dos descartáveis.