DECUPAR É PRECISO!

A tarefa do repórter de TV não termina quando ele grava o off e passa a bola para o editor de imagens. O ritmo sempre acelerado das redações e a pressão do deadline exigem que o encaminhamento do processo de edição seja o mais objetivo possível.

 

Facilitar a edição é essencial.  Com as imagens pré-selecionadas  e o off gravado,  o repórter deve entregar ao editor de imagens  um roteiro básico com a estrutura da reportagem.

Este roteiro pode ser o texto impresso do off, com as marcações de localização dos trechos escolhidos nas entrevistas e outras indicações específicas.

Isso é muito importante porque muitas vezes, ao receber o material bruto na ilha de edição, o editor tem apenas uma vaga idéia do que se trata, baseada apenas no título que está no “espelho” do telejornal.

Um roteiro repassado pelo repórter vai situar melhor o editor no assunto e tornar o processo  muito mais ágil. E de quebra assegura uma finalização de acordo com a concepção do repórter.

A tarefa de escolher os takes é do editor de imagens. Mas quando o repórter necessita  que uma determinada cena tenha destaque, em função de alguma exigência do texto,  ele deve informar ao editor qual é essa imagem e em que posição ela pode ser encontrada no disco, cartão ou fita.

Em emissoras mais estruturadas, o editor de imagens  pode ter a ajuda de um editor de texto ou de um produtor para orientar o trabalho na ilha de edição. Ou ainda do próprio repórter, se este não tiver que sair para fazer outra matéria.

Mas o ideal nestes tempos de redações cada vez mais enxutas é pensar que o editor de imagens estará sozinho na ilha, e que um roteiro é a melhor saída para uma edição rápida e eficiente.

Isso também vale para as emissoras pequenas ou sucursais,  onde é comum que o repórter seja também o editor. Mesmo que ele confie na sua memória, uma repassada no material gravado sempre será uma ajuda valiosa.

A BOA E VELHA DECUPAGEM FAZ MUITA DIFERENÇA!

Decupar o material gravado não é perda de tempo – ao contrário!  Ajuda a construir um texto melhor e facilita a edição, o que significa ganho de tempo na correria do deadline  –  a menos, claro, que o repórter tenha chegado na emissora com o tempo totalmente estourado.

O texto fica muito melhor quando se escreve tendo uma visão mais clara de tudo que foi captado. Muitas boas idéias podem surgir momento em que se confere as imagens e as entrevistas gravadas. E muitas surpresas também podem aparecer.

O ideal é fazer a decupagem no conforto da ilha de edição, mas ela pode ser feita  em campo mesmo, se as circunstâncias permitirem.

DICAS PARA UMA DECUPAGEM EFICIENTE

–  Dê uma olhada geral nas imagens, verifique se há cenas que podem inspirar alguma figura de linguagem, metáforas, comparações  e outros recursos de narrativa. Mas concentre atenção nas entrevistas. Selecione o  trecho mais efetivo para a matéria e marque os pontos de corte para edição.

–  Se puder decupar em campo, melhor. É possível fazer isso até no carro, no caminho de volta para a emissora, usando a câmera e um fone de ouvido.

–  Ao verificar as imagens, preste atenção no som ambiente. Muitas vezes o áudio revela algum ruído  ou manifestação que pode merecer destaque, seja reforçando o conteúdo do texto ou entrando como efeito sonoro de auxilio à edição.

–  Preste atenção nas chamadas imagens de apoio, quando o cinegrafista grava o repórter conversando com o entrevistado antes da entrevista . Muitos entrevistados ficam mais à vontade neste momento e podem se manifestar de maneira mais incisiva e verdadeira do que no momento da sonora. O áudio ambiente captado pela câmera pode revelar trechos mais interessantes do que as declarações dadas na entrevista, ou então manifestações que podem  complementar a edição.

–  O áudio ambiente durante a conversa pré-entrevista pode revelar também inconfidências que o entrevistado não diria na gravação. Dependendo da gravidade do assunto e da repercussão, o áudio ambiente pode ser muito mais impactante, ou mesmo revelar a manchete. Utilizar esta gravação pode, em alguns casos, envolver uma questão ética, que deve ser discutida com o editor-chefe do telejornal.

–  Em viagens, é sempre produtivo aproveitar o final do dia de gravações para revisar o material no hotel. O texto do off já começa a nascer naquele momento.