CRISTIANE VIEGAS

CRISTIANE VIEGAS é jornalista formada na ULBRA. Atuou em quase todas as funções dentro e fora das redações, de produtora a apresentadora. Ainda como aluna, foi produtora, repórter e apresentadora dos programas da UlbraTV. Depois foi chefe de produção na Record, repórter na TV Pampa, e repórter do Canal Rural, com períodos de atuação em Porto Alegre e São Paulo.

Também foi repórter e apresentadora da TVE/RS. Atualmente é repórter do Programa Justiça Gaúcha, na TV do Tribunal de Justiça, onde produz também para a TV Justiça, que transmite notícias sobre o judiciário em rede nacional. Cristiane tem outra paixão além do jornalismo: o teatro, onde vem atuando como atriz em produções de diretores gaúchos. Mas a maior paixão mesmo é a que por estes dias está tomando todo seu tempo e do marido, o radialista e jornalista Pedro Espinosa: Isabela, primeira filha do casal, nascida em setembro.

. Qual a maior virtude de um repórter?

Escrever o texto em uma linguagem conversada, ou seja, passar as informações como quem está batendo um papo na cozinha de casa. Isso, claro, sem assassinar o português, como cometer erros de concordância e outros. Nunca perder a criatividade, mas saber quando usar, pois nem toda a matéria deve ser engraçadinha.

. Como se deve lidar com as fontes?

De maneira muito profissional e respeitosa. Mantendo uma boa relação, que permita obter informações em primeira mão, mas sem ficar “devendo penico”. Outra coisa que deve ser evitada ao meu ver é ” queimar a imagem de uma fonte” para ganhar destaque em uma matéria. Sempre haverá o dia de amanhã e você poderá precisar dessa mesma fonte. Atualmente tem sido muito comum em programas de tv e rádio, a ” tiração de onda”. Veja bem, a fonte pode até merecer, mas você é um jornalista e precisa manter sua credibilidade.

. Qual a melhor forma de conduzir uma reportagem?

Sempre mostrando todos os lados da notícia, com objetividade, usando seu toque individual, deixando ao telespectador a oportunidade de tirar suas próprias conclusões. Hoje isso tem sido raro. Pode até ser utopia, mas jornalismo é isso. Esse é o modo certo. .

. Como forma tua base de conhecimentos?

Com leitura, pesquisa e muita observação.

. Como deve ser a relação com o repórter cinematográfico?

Deve ser de muita parceria e confiança. Sem ele você não tem matéria! Minha experiência com repórteres cinematográficos é a melhor possível. Tive a sorte de encontrar colegas muito dedicados, competentes. E que até se tornaram amigos. Como se diz, eles são os olhos do repórter.

. E com o editor?

Com o editor é fundamental ter uma boa abertura para o diálogo. Muitas vezes ele vai ter que reduzir seu texto, ou você não concordará com a mudança de algum termo. É importante que os dois possam ter autonomia e que possam chegar a um consenso. Acho que o ideal dessa relação seria uma certa cumplicidade. .

. Como lidar com situações tensas ou perigosas na reportagem?

Nas ocasiões em que estive nessa condição, como em invasões do MST e conflitos entre índios e agricultores, procurei passar a certeza de que a reportagem estava ali para ajudar, dando voz às suas reivindicações. A cautela e o bom senso são fundamentais. Matéria boa é o que se quer, mas mantenha-se vivo para terminá-la.

. Repórter tem apenas que receber a pauta ou criar a sua?

Sempre criar as suas, sempre sugerir! E muita vezes a redação está carente disso. Então, olhar sempre ao redor, prestar atenção naquele ponto de ônibus, ou naquela praça onde podem estar pautas fantásticas.

. Como lidar com as várias plataformas que a profissão impõe hoje?

Jogo de cintura, observar as linguagens que são diferentes. Twitter é super curtinho, manchete. O Facebook permite mais. Mas todas essaa plataformas estão transformando a maneira de se fazer jornalismo e têm um alcance imenso. Por isso, é preciso se adaptar e utilizar como ferramentas. .

. O momento mais difícil na carreira?

Posso citar dois. Um foi quando fiquei desempregada e precisei trabalhar como freelancer ganhando muito pouco. Foram tempos difíceis, mas eu precisava trabalhar e lá fui eu ganhar 50 pilas por pauta. E eram bem poucas. O outro foi quando precisei decidir em uma semana se topava me mudar para São Paulo, deixando família, noivo e amigos. Fui, aprendi e voltei. Não me arrependi, pois cresci como profissional e pessoa. .

. O melhor momento?

Acho que ainda vai chegar. Mas posso citar momentos bons como quando ganhei um prêmio com uma matéria sobre pecuária sustentável em São Paulo. E quando em uma semana pude escolher entre fazer a previsão do tempo do Canal Rural, apresentar um programa na BMF &Bovespa ou retornar a Porto Alegre e seguir como repórter. Voltei e segui na grande aventura da reportagem.

. Como lidar com a fogueira de vaidades da televisão?

Faça o seu bem feito, não se envolva em fofocas, e encare a vaidade das pessoas como uma fraqueza que um dia elas poderão vencer. Levei um tempo pra entender isso.

. A grande matéria que ainda não fez

Eu adoraria fazer uma dessas reportagens de desbravar mundo, mostrando paraísos naturais e sobre questões sociais. .

. Dica para os novatos

Aprenda com os repórteres cinematográficos. Eles têm ensinamentos preciosos. Faça cada matéria sua como se fosse única e seja versátil. Esteja aberto para mudanças. Muitas vezes um passo que parece ser pra trás te leva dez milhas pra frente! E boa sorte nessa louca e maravilhosa jornada!