CLÉO KUHN, A FIGURAÇA DO TEMPO!

Esta aconteceu no final de novembro de 2019, envolvendo duas personalidades da Rádio Gaúcha e uma entrevistada.

Rápido preâmbulo: o fato me lembrou um episódio dos meus tempos de repórter iniciante na RBSTV, lá no início dos anos 90.

Foi quando tomei uma bronca do Pedro Maciel, então chefe de reportagem. Acabara de ir ao ar no Jornal do Almoço (na real, foi na Rede Regional de Notícias, um bloco noticioso dentro do JA) minha reportagem sobre opções de diversão para a criançada.

Na enquete, numa pracinha, eu perguntava pra piazada se brincar ali não era muito melhor do que ficar assistindo TV trancado em casa.

Entrei na redação e o Pedro fulminou: “Azeredo, onde tu trabalha? Agora vai mandar todo mundo desligar a TV em casa e ir pra praça??

Pois é…

Bueno, voltando ao causo, lembrei desta minha historinha ao ouvir a Rádio Gaúcha há poucos dias.

Pela manhã, como de hábito, eu estava mateando e zapeando no dial ouvindo programas de notícias. E aí sintonizei o Gaúcha Hoje, comandado pelo veterano Antônio Carlos Macedo.

Lá pelas tantas Macedo chama uma dermatologista para falar sobre o 7 de dezembro, dia mundial de combate ao câncer de pele. E começa a fazer as perguntas de praxe sobre cuidados com a exposição ao sol.

Eis que entra na conversa o meteorologista Cléo Kuhn, pegando o gancho dos dias ensolarados para falar do tempo.

Ah não, péra aí! O Cléo merece uma introdução tipo revival antes de continuar o causo.

O INCONFUNDÍVEL HOMEM DO TEMPO

Cléo Kuhn é um caso muito peculiar de alguém que não era jornalista, e que, muito antes destes tempos em que qualquer sub-celebridade vira comunicador, se tornou uma personalidade da mídia tão popular quanto muitos outros veteranos do jornalismo.

Tudo graças ao seu jeitão divertido e simplório e à habilidade de falar de forma descomplicada sobre um tema técnico como a meteorologia.

A trajetória do Cléo começou lá no final dos anos 80, início dos 90. Ele era meteorologista do 8o. Distrito de Meteorologia, departamento do Ministério da Agricultura instalado nos altos do Jardim Botânico, em Porto Alegre.

Com a valorização cada vez maior na mídia dos temas relacionados ao clima, ele passou a ser muito requisitado nas reportagens.

Atendia todo mundo com a maior boa vontade, e logo foi ficando acostumado com câmeras e microfones, embora ainda meio desajeitado.

Passou a ser tão solicitado que era o único sujeito que eu conhecia a ter dois celulares, coisa que naqueles tempos era algo muito incomum.

Ele atendia a tantas rádios do interior e da capital, o tempo todo, que entrevistá-lo era uma tarefa complicada. Tinha-se que espertar um intervalo entre uma ligação e outra para gravar – isso quando a entrevista não era interrompida por uma ligação de alguma radiozinha dos confins do Rio Grande.

Alguns anos depois Cléo deixou o serviço público para ser contratado exclusivo da RBS.

Com a rotina diária nos veículos de comunicação do grupo, ele foi desenvolvendo cada vez mais intimidade com os microfones ao vivo. E seu estilo que no início era ainda um tanto sóbrio foi ganhando cada vez mais leveza à medida em que o perfil extrovertido foi sendo valorizado pelos editores, para dar mais clima (ops!) ás previsões do tempo.

E assim Cléo Kuhn foi se transformando na atração hoje consagrada, especialmente na Rádio Gaúcha, conquistando popularidade equivalente a alguns astros, com os bônus e ônus: as críticas positivas e as negativas, tão comuns aos formadores de opinião com quem divide espaço no ar.

Tá, agora, finalmente ao causo!

Rolava o papo entre Macedo e a dermatologista. Cléo junto no estúdio, como de costume. A mulher falava da importância de usar filtro solar todos os dias. Bastou para atiçar a verve do meteorologista mais popular do RS:

– Ah para! Eu não, eu não boto este negócio, esta coisa gosmenta, grudenta, deixa o rosto lambuzado. Quando muito eu passo no lombo!

A dermatologista emudeceu. Macedo interveio:

– Mas tem o spray, que não incomoda…

Cléo ficou ainda mais enfezado.

– Spray?? Nunca ouvi nem falar! Não conheço esse troço!

A entrevistada continua em silêncio. Macedo se esforça para contemporizar.

– O spray é muito mais prático, não lambuza…

E engata logo outra pergunta para a dermatologista, que volta ao debate. Ela diz que usa filtro solar sempre, que não sai de casa sem usar, que aplica antes de se maquiar, etc.

Sem conter as risadas, Cléo volta ao ataque, aproveitando que o dia estava chuvoso.

– O quê?? Pra que usar filtro solar com esta chuva??

A entrevistada, algo constrangida, explica pacientemente que o filtro se usa todo dia por causa dos raios solares cada vez mais intensos e nocivos, mesmo em dias nublados. E trazendo o verão para a pauta, ressalta os cuidados na praia, destacando uso do chapéu.

Quase às gargalhadas, Cléo não se segura:

– Chápéu?? Na praia?? Com aquele vento todo? O vento arranca o chapéu!

Macedo tenta manter a paciência:

– Mas então usa boné!

– Mas que boné que nada! Boné também voa! Se for com chapéu, só se for daqueles com barbicacho!

E aí o meteorologista se dedica a explicar para entrevistada que barbicacho é aquela tira que segura o chapéu do gaúcho.

Ela então segue falando sobre as dicas de proteção. Quem ouve fica com a impressão que Cléo voltará ao contra-ataque a qualquer segundo. Mas sabe-se lá se o Macedão deu algum sinal de “contenha-se Cléo”, o fato é que o meteorologista animadão baixou a bola e se limitou a mais alguns comentários sobre a previsão do tempo.

Esse Cléo Kuhn é uma figura…