CINEGRAFISTA QUASE APANHA EM CASA

Pequenas distrações podem gerar grandes confusões.

Certa vez, na RBSTV,  foi escalado para fazer matéria na serra gaúcha sobre produção de vinhos. Jogo rápido, ir num dia e voltar no outro.

O repórter cinematográfico escalado para a tarefa era Beto Tormes, um veterano das imagens e pândego incorrigível.

Ao saber que passaria uma noite fora de casa trabalhando, precavidamente avisou a ciumenta patroa sobre a nossa missão, reforçando que estaria a trabalho e comigo.

No dia seguinte, reportagem feita e já de volta à redação em Porto Alegre, eu redigia no computador a lauda da  matéria quando por distração troquei o nome do cinegrafista, escrevendo o de outro colega no lugar do Beto.

Em casa, à noite, Beto e a esposa aguardavam para ver a matéria confortavelmente no sofá da sala, em frente à TV.

A voz grave do apresentador Elói Zorzetto anuncia a reportagem. Beto se ajeita:

– Olha aí mulher, é a matéria que a gente fez ontem!

E entra o VT,  com belas imagens de vinhedos e vinícolas. E na parte de baixo da tela, em vez do nome dele, a assinatura de outro cinegrafista.

Explode a guerra no sofá.  A esposa em fúria se atirou pra cima do atordoado cinegrafista, quase indo às vias de fato.

No dia seguinte Beto me contou  o sufoco que passou em casa até convencer a esposa irada que não era nada do que ela estava pensando. Foram horas de feroz interrogatório noite adentro, pra cima do coitado que era injustamente acusado de ter aprontado…

– Pô baixinho, faltou muito pouco pra eu levar porrada! Se liga na próxima!

Acatei a dica, mal escondendo a vontade de rir…