CAMISINHA DIET NO FESTIVAL DE GRAMADO

 

Uma das coisas mais bacanas para quem trabalha nas coberturas do Festival de Cinema de Gramado é o contato direto com grandes artistas do cinema e da TV. Muitas vezes esta relação vai além das entrevistas.

O festival, como todo mundo sabe, é festa e mais festa, onde todo mundo se encontra e se diverte junto. E muitas amizades surgem neste ambiente.

No Festival de 1995, trabalhando pela RBSTV, fiquei amigo de vários atores e atrizes, após tê-los entrevistado ou simplesmente cruzado com eles em algumas das concorridas festanças após as exibições dos filmes no Palácio dos Festivais.

As atrizes Bete Mendes e Maria Zilda Bethlen eram parceironas nas rodas de samba do Hotel Serrano. Mas foi com o ator Norton Nascimento que eu,  o repórter cinematográfico José Henrique e o motorista Carlos “Chitão” Renaux mais nos divertimos.

Era um baita negão, pura simpatia e simplicidade. Estava no auge da carreira e fazia muito sucesso nas novelas da Globo na época. Teve uma trajetória brilhante até descobrir anos depois que tinha uma doença cardíaca. Passou por um transplante de coração mas acabou morrendo em 2007 aos 45 anos.

Estávamos todos hospedados no Hotel Bella Vista. Uma noite nos encontramos no saguão para zarpar rumo a mais uma festa. Chegou anunciando que teríamos parceria: 

– Olha aí rapaziada, hoje o Paulo vai com a gente. Ele tá todo animadão!

Ele se referia ao ator Paulo Cezar Grande, outro galã da Globo.

Enquanto esperávamos o novo parceiro, um grupo de senhoras que chegou numa excursão percebeu a presença do Norton e logo o cercou.

Algumas eram bem velhinhas, mas não perderam a oportunidade de sapecar beijocas no ator que, muito solícito e sorridente, procurava responder aos abraços festivos daquela turminha barulhenta.

As velhinhas estavam completamente deslumbradas. Algumas pareciam não acreditar que estavam agarradas no galã, tirando fotos e mais fotos.

Eis que da larga escada que descia ao saguão vem um vozeirão:

– Oláááá todo mundo, cheguei!!!

Era o Paulo Cezar Grande, que descia cada degrau com os braços num teatral gesto largo.

Norton delicadamente se desvencilhou das velhinhas que o abraçavam, pousou a mão no meu ombro e nela apoiou sua testa, prevendo confusão:

– Ihh, Azeredo, agora fudeu!   

Quando as velhinhas viram outro galã de novela bem ao alcance delas,  dispararam um coro de gritinhos extasiados e correram em direção a ele. Eram umas vinte.

Norton me olhava e balançava a cabeça em silêncio como quem diz “Lá vem merda…”

Paulo Cezar esperou as senhorinhas se agruparem junto a ele, e com os braços sobre os ombros de duas delas, fez uma sonora saudação.

– E aííí meninas, tudo bem com vocês??

Algumas pareciam que iam desmaiar de emoção. Responderam num coro tão confuso que não deu pra entender nada.

Com um sorrisão de pura safadeza, ainda abraçando as duas velhinhas, ele continuou a sua performance:

– Meninas, meninas, escutem só! 

Todas se calaram instantaneamente e ficaram esperando a fala do galã, embevecidas.

– Vocês sabiam que acabaram de inventar a camisinha diet?

Ao ouvir a palavra “camisinha” as velhinhas começaram a murchar. A algazarra foi sumindo, dando lugar a sorrisinhos amarelos e olhares receosos.

– Então meninas, sabem pra que serve a camisinha diet?

Elas estavam mudas, trocando olhares assustados.  

– Ora, pra que! Serve pra comer cú doce!! Hahahahahahahahahahahaha!!!!!!!!!!!!!!!!

A gargalhada pândega do ator ecoou pelo saguão. Norton olhou pra mim:

– Não te falei?

As velhinhas voltaram atarantadas para o seu ônibus, sem olhar pra trás.

Paulo Cezar Grande então se voltou para nós, ainda gargalhando depois daquela crueldade.

– E aeee, vamulá? Onde é a festa??