A IRRESISTÍVEL TENTAÇÃO DO ÓBVIO

Atestado de incompetência de repórter de TV: na passagem, momento em que ele deve mostrar a que veio, não consegue dizer nada além dos que as imagens já estão mostrando.

O sujeito se posiciona em frente à câmera, tendo atrás dele a casa completamente destruída por um vendaval. A imagem enche a tela e não pode ser mais impactante. Mas o tipo enche o pulmão, faz cara dramática e lasca: “O vendaval foi tão forte que deixou várias casas assim, completamente destruídas!” Ah, claro, ainda dá aquela viradinha pra trás, apontando para que o telespectador saiba meeesmo do que ele está falando…

Só tem uma explicação para este fenômeno tão velho quanto a lauda batida à máquina: a incapacidade de elaborar alguma informação relevante justamente no momento em que ele, repórter, condutor da matéria, tem que marcar a sua presença na reportagem.

Mas porque esta maldição que a gente vê todos os dias nas TV mais mambembes e até na Globo não acaba?

Porque esta coisa tão óbvia não é combatida nas faculdades ou nas redações? Professores de telejornalismo, chefes de reportagem, editores, etc,  tem a obrigação de dar uma bronca em repórteres que voltam da rua com passagens assim. Repórteres cinematográficos também devem dar sua opinião na hora em que os repórteres estão cometendo esta bobagem.

Parece que há uma tolerância tácita, como se estivesse estabelecido que isso não tem tanta importância desde que a matéria tenha as informações necessárias e esteja correta. Ok, de fato as passagens óbvias não comprometem o objetivo de uma reportagem.

Mas para o repórter é uma indesejável prova de limitação criativa – ou mesmo preguiça – pra todo mundo ver. E é também um insulto á inteligência do telespectador.